quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Navio

Sou um navio abarrotado de contêineres de desesperanças
Seu rosto é âncora a imobilizar-me em mar de saudades
No tombadilho hão pães de tristezas esparramadas

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Pedra da saudade

Amor= tardar das horas que se arrastam no intervalo da existência! Viver: ausência de nós mesmos= saudades , felicidade: ilusão inalcançavel! A sua imagem meu espelho de quarto assombra, dentro do guarda-roupas dependurado estou no cabide irresponsável desse amor. Seu cheiro é ópio a entorpecer-me narinas e pensamento! Viciado: no cachimbo da lembrança do seu rosto, fumo a pedra da saudade!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ipês de setembro!

Setembro, ainda me lembro dela. Ausente, caminho cabisbaixo por entre ruas de saudades. Enquanto vagueio acordado, os ipês despejam sonhos coloridos pelas ruas da cidade. Os ipês trajados com vestidos lilás e amarelo para os olhos dos transeuntes. Sonhos coloridos adornam a copa dos ipês. Devaneios lilás e amarelos, derramados gentilmente, pela primavera, sob a copa verde esparramadas nos canteiros da cidade. No fundo azul do céu, de um azul que dói os olhos, dança lentamente um carneiro esculpido pelo acaso na imensidãoazul-turquesa do horizonte e o vento despedaça um dragão de sete patas.
Setembro, ainda me lembro dela! Ausente, caminho cabisbaixo por entre ruas de saudades!

Ruas dentro de mim

Sou um transeunte pelas ruas que tenho dentro de mim! Ruas dentro de mim, ainda que cansado, insisto caminhar! As ruas que me habitam, mendigo teimo morar! As vezes, sou um solitário pelas ruas que me cortam a existência! Noite e dia atravesso perigosamente essas ruas que são minhas! Vagueio avenidas, becos, ruelas, passarelas, ladeiras, pontes, viadutos e vidas sem rumo. Reviro os monturos a busca de olhares perdidos e pães amanhecidos.
Outras vezes, sou multidão a caminhar pelas encostas da alma, pelos costados das ruas que detenho! Nao tenho saidas, minhas ruas me atravessam em infindáveis labirintos. Acesas as velas, minha procissão de eus desnorteados desce a ladeira atrás da salvação. Entre tantos que rezo e me divido, o poeta, o bandoleiro, o amante, o aventureiro, o louco e o seresteiro, guardam, eles todos, com muito zelo as porteiras perdidas e cancelas esquecidas de minhas ruas.
Na vida amiúde, o vento sopra rasteiro pela calçada e impregna de poeira e saudade, a janela escancarada da solidão. Pela manhã destranco as cancelas das ruas que guardo dentro de mim! Piso chão de memórias, calçadas de sofrimentos! Olho com olhos esquecidos o tempo que passou! Sou eu o transeunte solitário nessa cidade de mapas e endereços todos meus!
Ruas que são minhas, ruas que me têm cativo em GPS de saudades de mim mesmo!