A pipa da vida alça vôo no vento leve do destino
Avó: vestido de chita usado pra ir rezar a missa
De palha:chapéu que vestia a careca do meu avô
Pequenos objetos, lugares e pessoas justapostos
Colcha de vidro onde brilha a suave luz do amor
Vidros coloridos assentados nas janelas da alma interior
Desenhos de lugares e de pessoas que o tempo pintou
Lugar onde a luz do sol ilumina a memória que passou
Aqui estão minhas lembranças indeléveis de menino
Cada vidrinho é parte da minha vida que o tempo colou
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Anilhamento do viver!
Amanheço acordado.Dentro do meu peito tua ausência é uma criança que não consigo fazer adormecer. Desfila perante minha insônia todos os momentos adocicados que vivemos. Na extensão inexata de minha pele, teu vulto me queima, todos meus poros em chama, meu corpo te clama. Teu cheiro é um incenso que se esparrama pelos vãos, desvãos e reentrâncias do meu ser. Cmo lidar com este hiato de você? Como não despencar do abismo que em minha frágil alma tua falta deixou? Tua lembrança são piercings atarraxados em minha memória. O contorno de teu rosto é vidro de mercúrio derramado sobre a capilaridade de meus pensamentos. Aos poucos me enveneno de saudade e de dores. Esta presença implacável da ausência, este anilhamento do viver, chamo saudade. Eu des-respiro, eu me ardo, eu me findo em tua lembrança!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Manhãs de outubro!
A janela entreaberta oferecia o aconchego da sombra aos raios solares das manhãs de outubro!
quinta-feira, 13 de maio de 2010
O rádio antigo e as manhãs (Lembranças do quintal da minha avó!)
Era um rádio a pilha e que tinha na frente somente dois botões: o de sintonizar e outro que aumentava ou diminuía o volume. Sua caixa protetora era de madeira e pintada de cor amarelo. As laterais era ligeiramente abauladas. Uma antena de tamanho médio parecia nascer de sua cabeça. Durante o dia só conseguíamos sintonizar a rádio de nossa cidade; á noite, com muito custo, meu avô conseguia ouvir o “Zé Béti”, um locutor de estação de rádio de São Paulo, acho que da rádio Nacional ou Bandeirantes. As crianças, como eu, deviam manter distância do rádio. Podia estragar o “apareiú”!
Em dias de chuvas com trovoadas, raios e relâmpagos, o rádio era desligado. Todo mundo sabia que a antena do rádio podia atrair o raio pra dentro da casa da gente e fazer incendiar tudo. Nesses dias de chuva brava a gente desligava o rádio e também cobria os espelhos. Confesso que até hoje eu não sei bem porquê cobria-se os espelhos.
Outra verdade, sabida por todos, era que tomando café quente era expressamente proibido de sair na chuva. Minha avó tinha conhecido alguém que tinha feito isso e tinha ficado todo torto. Ninguém queria ficar torto e nem morrer queimado ouvindo rádio. Lembro também que em dia de chuva uma das janelas devia ficar aberta: se o raio entrasse na casa, ele ia ter por onde sair(??!!!). Deixando as crendices sobre a chuva de lado, o rádio era um objeto muito apreciado, pois além da diversão ele também trazia as notícias. Muita gente que sabia escrever redigia uma cartinha pedindo para o locutor tocar sua música preferida, pedia para oferecer essa música para alguém que ele ou ela gostava. Depois “punha” a cartinha dentro de um envelope, botava o nome do programa na frente e levava na caixa de cartinhas que havia na estação de rádio. Outros através das cartinhas mandavam recados para o pessoal que morava nos sítios ou nas fazendas!
No outro dia o locutor lia em seu programa a carta da gente!
“___Fulano oferece com muito carinho a próxima música pra sicrana!”
Quando ouvíamos o nome da gente no rádio dava um orgulho danado! O rádio era tão famoso e ouvindo o nome da gente através dele, parecia que íamos absorver um pouco de sucesso. O rádio até parecia gente. A primeira e a última conversa do dia era dele.
“___Bom dia minha patroa! Agora em Três Lagoas são pontualmente cinco horas da manhã! É hora de acordar meu povo!”
(Música)
“ ...eu não troco meu ranchinho amarradinho de cipó
por uma casa na cidade nem que seja bangalô...”
Depois um cheiro de café novinho invadia a casa inteira. “____Menino tá na hora de acordar!”
Era a voz da minha avó me chamando para despertar.
“Não há oh gente oh não luar como esse do sertão..”
Eu acordava bocejando e espreguiçava para espantar a “lezeira” do corpo.
Ritual de todos os dias: lavar o rosto, pentear o cabelo, vestir o uniforme, calçar os sapatos, arrumar os cadernos.
“___Alô Seu João Quintanilha, da fazenda Olho dágua, a Dona Maria pede para esperar com o cavalo na porteira que ela está indo amanhã cedo”
“___Dona Joana, da fazenda PrataTiberi, a sua filha manda avisar que o seu neto já nasceu e que está tudo bem!”
“____Temos mais um recadinho aqui! É da Dirce, pro sítio Campanário! A Dona Dirce manda avisar que ela só poderá ir na segunda. Pro “ceis” não ficar preocupado que está tudo bem!”
(Música)
“ O maior golpe do mundo que eu tive em minha vida
Foi quando aos nove anos perdi minha mãe querida
Morreu queimada no fogo morte triste e dolorida....”
A xícara de café quentinha, fumegante já esperava á mesa.
“Levantei-me um dia bem cedo pra ver lá na praia minha namorada
Eu cheguei quando o sol já nascia só vi seu rastinho na areia molhada...”
“
O pão tipo bengala esticado solenemente á mesa era cortado em pedaços pequenos, lambuzado com manteiga era apreciado com a fome típica de quem acabara de levantar.
Eu: “ Vó tem leite pra misturar no café?”
“O João-de-barro pra ser feliz como eu certo dia resolveu arrumar uma companheira
Com o vai e vem com o barro da biquinha ele fez sua casinha lá no alto da paineira...”
“_____Agora em Três Lagoas, são seis horas e quinze minutos!”
Minha avó: “___Menino se apressa se não vai chegar atrasado!”
“Já derrubamos o mato meus amigos e camaradas
Já posso pagar vocês terminou a derrubada...........”
Eu: “___Vó já to indo! Bença vó!”
“____Deus te abençoe, Deus te dê boa sorte!” Respondia ela lavando a louça suja do café .
Eu sabia que depois de lavada a louça ela catar feijão pra cozinhar pro almoço.
Lá do portão ainda dava pra ouvir o rádio anunciando:
“Em Três Lagoas, são seis horas e trinta minutos!”
Horário certo de sair pra escola. Dava tempo de chegar, conversar um pouquinho com os colegas e depois ir pra fila cantar o hino antes de entrar pra sala de aula!
Até hoje lembro do rádio, lembro das manhãs, lembro das músicas! Que saudade!
Em dias de chuvas com trovoadas, raios e relâmpagos, o rádio era desligado. Todo mundo sabia que a antena do rádio podia atrair o raio pra dentro da casa da gente e fazer incendiar tudo. Nesses dias de chuva brava a gente desligava o rádio e também cobria os espelhos. Confesso que até hoje eu não sei bem porquê cobria-se os espelhos.
Outra verdade, sabida por todos, era que tomando café quente era expressamente proibido de sair na chuva. Minha avó tinha conhecido alguém que tinha feito isso e tinha ficado todo torto. Ninguém queria ficar torto e nem morrer queimado ouvindo rádio. Lembro também que em dia de chuva uma das janelas devia ficar aberta: se o raio entrasse na casa, ele ia ter por onde sair(??!!!). Deixando as crendices sobre a chuva de lado, o rádio era um objeto muito apreciado, pois além da diversão ele também trazia as notícias. Muita gente que sabia escrever redigia uma cartinha pedindo para o locutor tocar sua música preferida, pedia para oferecer essa música para alguém que ele ou ela gostava. Depois “punha” a cartinha dentro de um envelope, botava o nome do programa na frente e levava na caixa de cartinhas que havia na estação de rádio. Outros através das cartinhas mandavam recados para o pessoal que morava nos sítios ou nas fazendas!
No outro dia o locutor lia em seu programa a carta da gente!
“___Fulano oferece com muito carinho a próxima música pra sicrana!”
Quando ouvíamos o nome da gente no rádio dava um orgulho danado! O rádio era tão famoso e ouvindo o nome da gente através dele, parecia que íamos absorver um pouco de sucesso. O rádio até parecia gente. A primeira e a última conversa do dia era dele.
“___Bom dia minha patroa! Agora em Três Lagoas são pontualmente cinco horas da manhã! É hora de acordar meu povo!”
(Música)
“ ...eu não troco meu ranchinho amarradinho de cipó
por uma casa na cidade nem que seja bangalô...”
Depois um cheiro de café novinho invadia a casa inteira. “____Menino tá na hora de acordar!”
Era a voz da minha avó me chamando para despertar.
“Não há oh gente oh não luar como esse do sertão..”
Eu acordava bocejando e espreguiçava para espantar a “lezeira” do corpo.
Ritual de todos os dias: lavar o rosto, pentear o cabelo, vestir o uniforme, calçar os sapatos, arrumar os cadernos.
“___Alô Seu João Quintanilha, da fazenda Olho dágua, a Dona Maria pede para esperar com o cavalo na porteira que ela está indo amanhã cedo”
“___Dona Joana, da fazenda PrataTiberi, a sua filha manda avisar que o seu neto já nasceu e que está tudo bem!”
“____Temos mais um recadinho aqui! É da Dirce, pro sítio Campanário! A Dona Dirce manda avisar que ela só poderá ir na segunda. Pro “ceis” não ficar preocupado que está tudo bem!”
(Música)
“ O maior golpe do mundo que eu tive em minha vida
Foi quando aos nove anos perdi minha mãe querida
Morreu queimada no fogo morte triste e dolorida....”
A xícara de café quentinha, fumegante já esperava á mesa.
“Levantei-me um dia bem cedo pra ver lá na praia minha namorada
Eu cheguei quando o sol já nascia só vi seu rastinho na areia molhada...”
“
O pão tipo bengala esticado solenemente á mesa era cortado em pedaços pequenos, lambuzado com manteiga era apreciado com a fome típica de quem acabara de levantar.
Eu: “ Vó tem leite pra misturar no café?”
“O João-de-barro pra ser feliz como eu certo dia resolveu arrumar uma companheira
Com o vai e vem com o barro da biquinha ele fez sua casinha lá no alto da paineira...”
“_____Agora em Três Lagoas, são seis horas e quinze minutos!”
Minha avó: “___Menino se apressa se não vai chegar atrasado!”
“Já derrubamos o mato meus amigos e camaradas
Já posso pagar vocês terminou a derrubada...........”
Eu: “___Vó já to indo! Bença vó!”
“____Deus te abençoe, Deus te dê boa sorte!” Respondia ela lavando a louça suja do café .
Eu sabia que depois de lavada a louça ela catar feijão pra cozinhar pro almoço.
Lá do portão ainda dava pra ouvir o rádio anunciando:
“Em Três Lagoas, são seis horas e trinta minutos!”
Horário certo de sair pra escola. Dava tempo de chegar, conversar um pouquinho com os colegas e depois ir pra fila cantar o hino antes de entrar pra sala de aula!
Até hoje lembro do rádio, lembro das manhãs, lembro das músicas! Que saudade!
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Somente pra você meu inesquecível amor!
Trago em um um bornal dentro do coração:
Um par de brincos com brilhantes de alegrias
Um frasco pequeno com perfume de saudades
Um par de luvas forrada de abraços delicados
Um estojo de maquiagem repleto de ternuras
Trago um porta-joias com de cancoes de ninar
Levo um vestido feito á mão com a água da chuva
Levo uma escova de cabelo manufaturada de brisa
Trago estrelas embrulhadas em papel de bala doce
Beijos quentes guardados em potes de chocolate
Um sapato tingido com a cor do céu de primavera
Um par de brincos com brilhantes de alegrias
Um frasco pequeno com perfume de saudades
Um par de luvas forrada de abraços delicados
Um estojo de maquiagem repleto de ternuras
Trago um porta-joias com de cancoes de ninar
Levo um vestido feito á mão com a água da chuva
Levo uma escova de cabelo manufaturada de brisa
Trago estrelas embrulhadas em papel de bala doce
Beijos quentes guardados em potes de chocolate
Um sapato tingido com a cor do céu de primavera
quarta-feira, 5 de maio de 2010
A máquina de cortar cabelo (Lembranças do quintal da minha avó!)
O corte de cabelo era feito ao menos uma vez a cada dois meses. Determinação do meu pai, com a amizade e a gratuidade do corte concedido por seu ‘Osvaldo”, o barbeiro.
Como eram muito amigos, seu ‘Osvaldo” não tinha a coragem de cobrar esse serviço do meu pai. Como era um gesto de amizade, essa gentileza quase sempre era realizada aos finais de semana. No início da semana, recebíamos a notícia de que no sábado íamos cortar o cabelo. A nova era dada antecipadamente para que não sumíssemos pelo mundo atrás de uma “pelada” (jogo de futebol sem esquemas táticos ou funções de campo definidas!).
Levantávamos cedo e ficávamos ali pelo quintal, brincando e aguardando a hora do Seu Osvaldo chegar. Quase sempre essa hora era lá pela hora do almoço.
Lá vinha ele e meu pai. É necessário confessar que o Seu Osvaldo e o meu pai gostavam de tomar umas “biritas” juntos. Por isso quando vinham, geralmente vinham do bar. Meu pai pitando seu “inlargável” cigarrinho de palha e o Seu Osvaldo trazendo á mão a sua famosa maleta preta de barbeiro. Dentro da maleta, se bem me lembro, tinha a navalha, o pente, espumador de fazer barba, o sabão pra fazer a espuma, um vidro pequeno com álcool, uma toalha acetinada, dois espelhos médios e a máquina de cortar cabelo.
Meu pai pegava duas cadeira de madeira e uma toalha de banho. O lugar preferido era sob a sombra de uma das mangueiras existentes no quintal. Numa das cadeiras, o Seu Osvaldo colocava sua maleta aberta; na outra, a gente se assentava para ele dar início ao seu ofício. Ele então cobria o pescoço e a costa da gente com a toalha, pra não nos sujar com cabelo(?). Nunca entendi bem este ritual, pois o corte não era feito num salão e, sim no quintal da minha avó.
Eu nunca saberei dizer onde Seu Osvaldo aprendeu a profissão! Mas posso jurar que não deve ter sido em nenhuma escola de cabeleireiros! Imagino que deva ter sido com alguém próximo e de quem fora, algum dia, aprendiz.
Para o Seu Osvaldo existia apenas dois tipos de cortes de cabelo: o corte baixinho e o corte americano.
O primeiro consistia em aparar o cabelo bem baixinho, com ajuda de um pente e uma tesoura; e o corte “americano” Para esse tipo de corte, ele fazia uso de uma bacia e com um pincel ia “borrifando” água para que o cabelo ficasse ligeiramente molhado e facilitasse o seu trabalho. Depois ele desembaraçava o cabelo com a ajuda de um pente; depois ele ia prendendo pequenas porções de cabelo com os dedos indicador e o médio e, realizando o corte com a tesoura.
A medida de um corte desse tipo era a altura dos dedos indicador e médio do Seu Osvaldo.
Quando realizado dessa maneira o resultado era muito satisfatório. Quando o cliente pedia um corte mais baixinho que a altura de seus dedos, ele tinha que fazer uso do pente de maneira inclinada. Aí começava o problema, principalmente se ele já tinha bebido umas e outras! O tal “ caminho de rato” (um corte cheio de falhas devido ao manuseio errado da tesoura) era certo!”
Para mim e os meus irmãos só existia o corte “americano”, que basicamente, era rapar as laterais da cabeça, a ajuda de uma máquina de cortar cabelo, acionada manualmente. A “maquininha”, acredito eu, era feita de metal, de cor prata. Tinha uma cabeça arredondada,
que era aberta superiormente com uma chave de fenda para trocar as lâminas de aço, que conhecíamos somente como gillete. Na parte de baixo da “cabeça”, ela tinha vários “dentes”, que eram encarregados de levantar cabelo pra gillete fazer o seu trabalho. Conforme a altura de corte que o freguês queria esses “dentes” podiam ser substituídos, variando, em ordem decrescente, do três até o zero; sendo que o zero era o popular “careca”.
Do lado da “cabeça” da maquininha saiam lateralmente duas manetes, ou cabos, como queiram, com uma mola presa ao meio. Para ela trabalhar o Seu Osvaldo tinha empurra-la pra frente, abrindo e fechando a mão
Para que a tal “maquininha” funcionasse bem, bastava estar com “gillete” (lâminas de aço) novas. Conforme ele forçava as manetes pra dentro, a mola central forçava o movimento pra fora. Bastava ele ir empurrando a tal engenhoca sobre nosso couro cabeludo pro nosso cabelo pixaim ir se amontoando na toalha ou no chão. Finda essa verdadeira raspagem lateral, ele aparava nosso cabelo na parte de cima, fazendo uso dos dedos citados e da tesoura; depois fazia “pé do cabelo” ( acertar o corte de cabelo no início do pescoço deixando-o com a forma quadrada ou arredondada) com a ajuda de uma navalha . Diga-se de passagem que por conta de seu estado etílico, esse momento da navalha, era cheio de muita tensão. A gente não dava um pio enquanto ele não terminasse! O toque final era dado quando ele esfregava as mãos com álcool, deixando-as levemente úmidas e passava sobre nosso pescoço. Ele pedia então para segurarmos um espelho em frente aos nossos olhos e, com outro, ficava focando atrás da nossa nuca pra mostrar pra gente como o “pé do cabelo” tinha ficado legal (?). Simples, não é?
O pior é que muitas vezes não meu amigo!! O que a princípio, descrevendo, parecia ser simples, muitas vezes quando a tal “maquininha” estava cega de corte, não era! Após o segundo corte de cabelo, o simples se tornava o complexo.
A “maquininha” perdia o corte! A tal “maquininha” quando estava cega ao invés de cortar ela ia arrancando nosso cabelo. Quando acontecia isso, parecia que a danada não estava cortando nosso cabelo e, sim arrancando, aos puxões, o nosso couro cabeludo. Era um tal de fechar os olhos e chupar os dentes durante todo o processo! Seu Osvaldo, enquanto cortava o cabelo conversava animadamente com o meu pai e os dois nem se davam conta do sofrimento que estava sendo manualmente inflingido a nós, os pobrezinhos!
Éramos cinco: eu, o Alvimar, o Adilson, o Wilson e o Manoel! Quem ficasse por último estava condenado a ser quase escalpelado!
Quando fomos ficando maiores começamos a pedir para o meu pai deixar seu Osvaldo cortar nosso cabelo no estilo “baixinho”. Com muita insistência nossa e o advogar da minha mãe, felizmente para nós, ele concordou!
Sem dúvida era melhor ostentar “caminhos de ratos” na cabeça do que arriscar a ser literalmente escalpelado por uma máquina de cortar cabelo!
Como eram muito amigos, seu ‘Osvaldo” não tinha a coragem de cobrar esse serviço do meu pai. Como era um gesto de amizade, essa gentileza quase sempre era realizada aos finais de semana. No início da semana, recebíamos a notícia de que no sábado íamos cortar o cabelo. A nova era dada antecipadamente para que não sumíssemos pelo mundo atrás de uma “pelada” (jogo de futebol sem esquemas táticos ou funções de campo definidas!).
Levantávamos cedo e ficávamos ali pelo quintal, brincando e aguardando a hora do Seu Osvaldo chegar. Quase sempre essa hora era lá pela hora do almoço.
Lá vinha ele e meu pai. É necessário confessar que o Seu Osvaldo e o meu pai gostavam de tomar umas “biritas” juntos. Por isso quando vinham, geralmente vinham do bar. Meu pai pitando seu “inlargável” cigarrinho de palha e o Seu Osvaldo trazendo á mão a sua famosa maleta preta de barbeiro. Dentro da maleta, se bem me lembro, tinha a navalha, o pente, espumador de fazer barba, o sabão pra fazer a espuma, um vidro pequeno com álcool, uma toalha acetinada, dois espelhos médios e a máquina de cortar cabelo.
Meu pai pegava duas cadeira de madeira e uma toalha de banho. O lugar preferido era sob a sombra de uma das mangueiras existentes no quintal. Numa das cadeiras, o Seu Osvaldo colocava sua maleta aberta; na outra, a gente se assentava para ele dar início ao seu ofício. Ele então cobria o pescoço e a costa da gente com a toalha, pra não nos sujar com cabelo(?). Nunca entendi bem este ritual, pois o corte não era feito num salão e, sim no quintal da minha avó.
Eu nunca saberei dizer onde Seu Osvaldo aprendeu a profissão! Mas posso jurar que não deve ter sido em nenhuma escola de cabeleireiros! Imagino que deva ter sido com alguém próximo e de quem fora, algum dia, aprendiz.
Para o Seu Osvaldo existia apenas dois tipos de cortes de cabelo: o corte baixinho e o corte americano.
O primeiro consistia em aparar o cabelo bem baixinho, com ajuda de um pente e uma tesoura; e o corte “americano” Para esse tipo de corte, ele fazia uso de uma bacia e com um pincel ia “borrifando” água para que o cabelo ficasse ligeiramente molhado e facilitasse o seu trabalho. Depois ele desembaraçava o cabelo com a ajuda de um pente; depois ele ia prendendo pequenas porções de cabelo com os dedos indicador e o médio e, realizando o corte com a tesoura.
A medida de um corte desse tipo era a altura dos dedos indicador e médio do Seu Osvaldo.
Quando realizado dessa maneira o resultado era muito satisfatório. Quando o cliente pedia um corte mais baixinho que a altura de seus dedos, ele tinha que fazer uso do pente de maneira inclinada. Aí começava o problema, principalmente se ele já tinha bebido umas e outras! O tal “ caminho de rato” (um corte cheio de falhas devido ao manuseio errado da tesoura) era certo!”
Para mim e os meus irmãos só existia o corte “americano”, que basicamente, era rapar as laterais da cabeça, a ajuda de uma máquina de cortar cabelo, acionada manualmente. A “maquininha”, acredito eu, era feita de metal, de cor prata. Tinha uma cabeça arredondada,
que era aberta superiormente com uma chave de fenda para trocar as lâminas de aço, que conhecíamos somente como gillete. Na parte de baixo da “cabeça”, ela tinha vários “dentes”, que eram encarregados de levantar cabelo pra gillete fazer o seu trabalho. Conforme a altura de corte que o freguês queria esses “dentes” podiam ser substituídos, variando, em ordem decrescente, do três até o zero; sendo que o zero era o popular “careca”.
Do lado da “cabeça” da maquininha saiam lateralmente duas manetes, ou cabos, como queiram, com uma mola presa ao meio. Para ela trabalhar o Seu Osvaldo tinha empurra-la pra frente, abrindo e fechando a mão
Para que a tal “maquininha” funcionasse bem, bastava estar com “gillete” (lâminas de aço) novas. Conforme ele forçava as manetes pra dentro, a mola central forçava o movimento pra fora. Bastava ele ir empurrando a tal engenhoca sobre nosso couro cabeludo pro nosso cabelo pixaim ir se amontoando na toalha ou no chão. Finda essa verdadeira raspagem lateral, ele aparava nosso cabelo na parte de cima, fazendo uso dos dedos citados e da tesoura; depois fazia “pé do cabelo” ( acertar o corte de cabelo no início do pescoço deixando-o com a forma quadrada ou arredondada) com a ajuda de uma navalha . Diga-se de passagem que por conta de seu estado etílico, esse momento da navalha, era cheio de muita tensão. A gente não dava um pio enquanto ele não terminasse! O toque final era dado quando ele esfregava as mãos com álcool, deixando-as levemente úmidas e passava sobre nosso pescoço. Ele pedia então para segurarmos um espelho em frente aos nossos olhos e, com outro, ficava focando atrás da nossa nuca pra mostrar pra gente como o “pé do cabelo” tinha ficado legal (?). Simples, não é?
O pior é que muitas vezes não meu amigo!! O que a princípio, descrevendo, parecia ser simples, muitas vezes quando a tal “maquininha” estava cega de corte, não era! Após o segundo corte de cabelo, o simples se tornava o complexo.
A “maquininha” perdia o corte! A tal “maquininha” quando estava cega ao invés de cortar ela ia arrancando nosso cabelo. Quando acontecia isso, parecia que a danada não estava cortando nosso cabelo e, sim arrancando, aos puxões, o nosso couro cabeludo. Era um tal de fechar os olhos e chupar os dentes durante todo o processo! Seu Osvaldo, enquanto cortava o cabelo conversava animadamente com o meu pai e os dois nem se davam conta do sofrimento que estava sendo manualmente inflingido a nós, os pobrezinhos!
Éramos cinco: eu, o Alvimar, o Adilson, o Wilson e o Manoel! Quem ficasse por último estava condenado a ser quase escalpelado!
Quando fomos ficando maiores começamos a pedir para o meu pai deixar seu Osvaldo cortar nosso cabelo no estilo “baixinho”. Com muita insistência nossa e o advogar da minha mãe, felizmente para nós, ele concordou!
Sem dúvida era melhor ostentar “caminhos de ratos” na cabeça do que arriscar a ser literalmente escalpelado por uma máquina de cortar cabelo!
terça-feira, 4 de maio de 2010
Eu mesmo!
Eu não caibo dentro de qualquer saudade
Que insista em me ter crucificado aos teus pés.
Eu não me enquadro em ângulos retos de amores
Não me deito em bancos macios de desejos
Onde a solidão primeiramente estendeu os seus lençóis
Não adentro as igrejas ortodoxas ou protestantes
Que apregoam a eternidade da paixão e do amor
Não ilumino a face perante as velas da tristeza
Que queimam solenes defronte ao altar do abandono
Eu não engulo as hóstias de desesperanças
E não bebo no meio da missa o cálice da decepção
Eu não vergo os joelhos sobre os tapetes desilusão
Eu não balbucio orações implorando o perdão
Não peço em preces a volta de um amor que já se foi
Não rumino lembranças vãs do desejo que se apagou
Eu não faço promessas para um bem querer voltar
Minha força é meu canto, minha fé a poesia
Pra toda tristeza e desencantos que resulta o amor
Eu mostro o lado forte da vida, eu trago a alegria
guardada na palma da mão.
Que insista em me ter crucificado aos teus pés.
Eu não me enquadro em ângulos retos de amores
Não me deito em bancos macios de desejos
Onde a solidão primeiramente estendeu os seus lençóis
Não adentro as igrejas ortodoxas ou protestantes
Que apregoam a eternidade da paixão e do amor
Não ilumino a face perante as velas da tristeza
Que queimam solenes defronte ao altar do abandono
Eu não engulo as hóstias de desesperanças
E não bebo no meio da missa o cálice da decepção
Eu não vergo os joelhos sobre os tapetes desilusão
Eu não balbucio orações implorando o perdão
Não peço em preces a volta de um amor que já se foi
Não rumino lembranças vãs do desejo que se apagou
Eu não faço promessas para um bem querer voltar
Minha força é meu canto, minha fé a poesia
Pra toda tristeza e desencantos que resulta o amor
Eu mostro o lado forte da vida, eu trago a alegria
guardada na palma da mão.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
A fazenda de um menino (Lembranças do quintal da minha avó!)
O quintal enorme foi fruto da labuta do meu avô, prestando serviços para a Noroeste do Brasil. Espalhado pelo quintal tinha pés de laranjas, pé de uva, limão, caju, carriola, cajamanga,coqueiros, umbu, banana, côco da bahia, pé de guaivira, mamão, abacate e manga. Manga tinha a manga coquinho, que era pequena e tão doce que parecia mel; a manga espada que os fiapos dela ficava enganchado nos dentes da gente e dava um trabalhão danado pra tirar, pois naqueles tempos, eu pelo menos, não conhecia o fio dental; a manga adem, que era grande, também doce e não tinha fiapos, por isso era a nossa preferida. Caju tinha do verde e do amarelo. Comíamos a polpa com bastante cuidado pois todo mundo sabia que se o sumo pingasse na roupa, manchava. A castanha do caju comíamos torrada. Um ou outro de nossos amigos até se atreveu a fazer tatuagem com o óleo da castanha do caju. Eu confesso que não me atrevi porque onde passavam o óleo sobre a figura desenhada na pele pra fazer a tatuagem, ficava um queimado feio pra caramba. O quintal era um universo de árvores frutíferas! Era em meio a esse monte de árvores que eu passava a maior parte do dia. A quantidade grande de árvores atraía também uma legião de passarinhos. Eles se aproveitavam das frutas que maduravam e demorava a ser colhida. Os sabiás, bem-te-vis e canarinhos amanheciam o dia antes de nós, fazendo cantilenas no terreiro e bicando vorazmente as frutas maduras que tinham vindo ao chão.Como eram muitas as árvores, eram muitas também as flores, por isso era um zunzum de abelhas que parecia que não ia acabar mais. Quando elas, as abelhas, estavam fazendo o seu trabalho a gente não brincava na copa das árvores. Medo de ser ferroado! Os beija-flores sempre davam o ar de sua graça, voando ligeiro e pairando em pleno ar enquanto beijavam graciosamente as flores. No chão as formigas faziam um eterno passeio , um ir e vir sem fim, onde sempre se cumprimentavam ao passar umas pelas outras. Além das árvores frutíferas a minha avó tinha á sua disposição no quintal um punhado de ervas: pé de fedegoso, de capim cidreira, pimentas, manjericão, boldro, erva santa-maria e outros. O quintal era um mundo habitado por plantas e ervas rasteiras e sombra que não acabava mais! Ás vezes, eu passava o dia brincando distraído debaixo da copa das árvores. Esquecia muitas vezes até o horário do almoço. Ficava ali absorto cuidando de minha fazenda. O meu gado era o resultado da combinação de mangas precocemente caídas, a haste da folha do coqueiro e muita imaginação.O primeiro passo era juntar as mangas que o vento tinha derrubado; depois eu tirava a hastezinha principal das folhas secas do coqueiro, quebrava em pequenos pedaços e com elas eu fazia as pernas do meu gado. Já, a cerca da minha fazenda era feita com palitos de picolés que eram trançados uns nos outros. Concebidos os bois e a cerca da fazenda a brincadeira consistia em apartar os bezerros, levá-los de uma fazenda pra outra, curar os que estavam machucados. Conduzir de um lugar pro outro era um trabalho danado porque tinha que ser feito de um a um, porque se eu empurrasse todos ao mesmo tempo, corria se o risco de quebrar as patas dos bichos. Era nessa brincadeiras que muitas vezes eu consumia docemente as manhãs! Esse devaneio era interrompido pelo grito da minha avó: "___Menino vem almoçar!" Eu acabava de ajeitar o gado na fazenda e ia almoçar! Terminada a refeição, quando voltava ao meu ofício de fazendeiro, não raras vezes, o lulu, um cãozinho de estimação, raça vira-lata, estava deitado sobre toda minha fazenda. Eu ralhava com ele, dando-lhe um chute no traseiro. Depois olhava desolado a minha fazenda destruída. O lulu, apesar de ser um cão, era uma espécie de sem-terra!
terça-feira, 13 de abril de 2010
"Cara de uma, fucinho da outra" (Lembrança do quintal da minha avó!)
Minha avó sempre foi uma excelente vizinha, disseram em seu velório, todos aqueles que vizinharam com ela. O quanto ela assertiva já descrevi em outras crônicas!
Fato muito engraçado aconteceu quando minha avó vizinhou com a Dona "Maria Amarradeira" (Confesso que não sei a razão deste apelido!), mãe da Valter, da Vanda e da Vilma. Elas foram vizinhas em terrenos que ficavam defronte á "igrejinha" (Assim era chamada a igreja do bairro Nossa Senhora Aparecida, bairro este, na época, mais conhecido como "feijão queimado"). A filha mais nova de minha avó se chama Maria de Lourdes e no círculo familiar era chamda de " Lurdinha"; a filha mais nova da Dona Maria "Amarradeira", se chama Vilma.
Afora o preconceito e as piadas de mau gosto que dizem que um caminhão de preto ou um caminhão de japonês todo mundo é igual, certo é que as duas eram muito parecidas, ou como de diz no interior, "cara de uma, fucinho da outra"!
Como era costume a Lurdinha e Vilma, viviam uma na casa da outra pois eram amigas e comungavam a mesma faixa etária de idade.
Como toda criança, vez ou outra aprontavam peraltices.
Minha avó, ao que parece estava cozinhando e as duas "neguinhas" brincando de correr e passando toda hora dentro da cozinha. Minha avó pediu para elas evitarem a cozinha, no quê, diga-se de passagem, não foi prontamente e nem tardiamente atendida.
A brincadeira de corre-corre continou como se minha avó não existisse e também não tivesse falado nada. Nem a promessa de uma surra na Lurdinha foi capaz de alterar o trajeto que elas haviam estabelecido naquela manhã. Heis que ao passar pela cozinha em desabalada carreira, uma delas tromba na minha avó, que por pouco não derruba uma chaleira de água quente que tinha ás mãos. Minha avó não pensou duas vezes e correu de chinelo na mão atrás da Lurdinha. Alcançou-a quando ela ia dobrar a esquina da parede da casa. Segurou-a pela gola da blusa e deu-lhe umas boas chineladas. Quando minha avó deixou a criança e olhou de lado, sua filha, a Lurdinha a olhava com olhos esbugalhados e atônitos. A Vilminha, que tinha acabado de apanhar no lugar da amiga, correu num berreiro só para o quintal da sua casa.
Quando a minha avó se deu conta do que tinha acontecido, saiu correndo atrás e gritando:
" Ô comadre Maria "Amarradeira", me desculpe! Eu bati na sua filha pensando que era a minha"!
Fato muito engraçado aconteceu quando minha avó vizinhou com a Dona "Maria Amarradeira" (Confesso que não sei a razão deste apelido!), mãe da Valter, da Vanda e da Vilma. Elas foram vizinhas em terrenos que ficavam defronte á "igrejinha" (Assim era chamada a igreja do bairro Nossa Senhora Aparecida, bairro este, na época, mais conhecido como "feijão queimado"). A filha mais nova de minha avó se chama Maria de Lourdes e no círculo familiar era chamda de " Lurdinha"; a filha mais nova da Dona Maria "Amarradeira", se chama Vilma.
Afora o preconceito e as piadas de mau gosto que dizem que um caminhão de preto ou um caminhão de japonês todo mundo é igual, certo é que as duas eram muito parecidas, ou como de diz no interior, "cara de uma, fucinho da outra"!
Como era costume a Lurdinha e Vilma, viviam uma na casa da outra pois eram amigas e comungavam a mesma faixa etária de idade.
Como toda criança, vez ou outra aprontavam peraltices.
Minha avó, ao que parece estava cozinhando e as duas "neguinhas" brincando de correr e passando toda hora dentro da cozinha. Minha avó pediu para elas evitarem a cozinha, no quê, diga-se de passagem, não foi prontamente e nem tardiamente atendida.
A brincadeira de corre-corre continou como se minha avó não existisse e também não tivesse falado nada. Nem a promessa de uma surra na Lurdinha foi capaz de alterar o trajeto que elas haviam estabelecido naquela manhã. Heis que ao passar pela cozinha em desabalada carreira, uma delas tromba na minha avó, que por pouco não derruba uma chaleira de água quente que tinha ás mãos. Minha avó não pensou duas vezes e correu de chinelo na mão atrás da Lurdinha. Alcançou-a quando ela ia dobrar a esquina da parede da casa. Segurou-a pela gola da blusa e deu-lhe umas boas chineladas. Quando minha avó deixou a criança e olhou de lado, sua filha, a Lurdinha a olhava com olhos esbugalhados e atônitos. A Vilminha, que tinha acabado de apanhar no lugar da amiga, correu num berreiro só para o quintal da sua casa.
Quando a minha avó se deu conta do que tinha acontecido, saiu correndo atrás e gritando:
" Ô comadre Maria "Amarradeira", me desculpe! Eu bati na sua filha pensando que era a minha"!
O jeito único de ser da minha avó (Lembranças do quintal da minha avó!)
Minha avó era uma daquelas pessoas cuja conta pra viver era pensar e resolver a vida!
Tudo era simples como dois mais dois resultando em quatro! De espírito e pensamentos simples, uma pessoa honesta e cheia de bom humor e esperança! Minha avó era uma semeadora de alegrias. Sua risada cristalina enchia a varanda e chegava até a rua, sendo muito comum contagiar os transeuntes. Ela viveu sua vida acreditando sempre o amanhã sempre traria consigo um fato novo e seria bem melhor do que o hoje.
Uma passagem que retrata bem minha avó, o seu jeito único de ser e de viver a vida, aconteceu no episódio de sua morte; e me foi relatada por Dona Cacilda, uma pessoa amável e muito querida, com a qual minha avó vizinhou por mais de trinta anos.
Ela dizia: "___Nós vizinhamos tantos anos! A dona Luzia era uma pessoa que todos nós da rua admirávamos! Não tinha quem não gostasse da dona Luzia. Quantas e quantas vezes eu acordava cedo e estava varrendo a minha calçada e a Dona Luzia, a dela. Ela me dava bom dia, atravessava a rua e já vinha rindo prosear comigo! Outras vezes era eu que atravessava a rua e ela me esperava rindo para conversar. Uma dessas vezes, eu disse á Dona Luzia, que todos os vizinhos admiravam ela! Sempre rindo, sempre de bom astral, parecia pra ela que tudo sempre estava bom. Minha avó respondeu á Dona Cacilda que ela não sabia o que era DOENÇA, o que era SAUDADE, o que era TRISTEZA. A Dona Cacilda pediu para ela explicar melhor como era isso. "___Doença, Cacilda, eu sei e já vi nos outros, mas "ocê" sabe que eu não sei o que é dor de cabeça, dor de dente, ficar acamada; Saudade também não sei o que é! Meus filhos e meus netos estão todos sempre perto de mim. Vejo os outros falar mas não sinto!
Tristeza é outra coisa que eu desconheço. Que eu lembre quando minha mãe estava viva e muito velhinha, precisou vir morar comigo. Todos os dias eu acordava e levava uma caneca de café quentinho pra ela na beirada da cama. Certo dia quando cheguei ao quarto, com o café quentinho nas mãos, chamei minha mãe e ela não respondeu. Então vi que minha mãe tinha morrido! Me deu um aperto dentro do peito e um bolo cresceu na minha garganta!".
Então ela perguntou á Dona Cacilda: "__Será que isso é tristeza?"
Dona Cacilda respondeu: "__É sim, Dona Luzia! Isso é muita tristeza!"
Então a minha avó respondeu numa gargalhada pra ela: "___Ah, então eu já fiquei triste uma vez!"
_
Tudo era simples como dois mais dois resultando em quatro! De espírito e pensamentos simples, uma pessoa honesta e cheia de bom humor e esperança! Minha avó era uma semeadora de alegrias. Sua risada cristalina enchia a varanda e chegava até a rua, sendo muito comum contagiar os transeuntes. Ela viveu sua vida acreditando sempre o amanhã sempre traria consigo um fato novo e seria bem melhor do que o hoje.
Uma passagem que retrata bem minha avó, o seu jeito único de ser e de viver a vida, aconteceu no episódio de sua morte; e me foi relatada por Dona Cacilda, uma pessoa amável e muito querida, com a qual minha avó vizinhou por mais de trinta anos.
Ela dizia: "___Nós vizinhamos tantos anos! A dona Luzia era uma pessoa que todos nós da rua admirávamos! Não tinha quem não gostasse da dona Luzia. Quantas e quantas vezes eu acordava cedo e estava varrendo a minha calçada e a Dona Luzia, a dela. Ela me dava bom dia, atravessava a rua e já vinha rindo prosear comigo! Outras vezes era eu que atravessava a rua e ela me esperava rindo para conversar. Uma dessas vezes, eu disse á Dona Luzia, que todos os vizinhos admiravam ela! Sempre rindo, sempre de bom astral, parecia pra ela que tudo sempre estava bom. Minha avó respondeu á Dona Cacilda que ela não sabia o que era DOENÇA, o que era SAUDADE, o que era TRISTEZA. A Dona Cacilda pediu para ela explicar melhor como era isso. "___Doença, Cacilda, eu sei e já vi nos outros, mas "ocê" sabe que eu não sei o que é dor de cabeça, dor de dente, ficar acamada; Saudade também não sei o que é! Meus filhos e meus netos estão todos sempre perto de mim. Vejo os outros falar mas não sinto!
Tristeza é outra coisa que eu desconheço. Que eu lembre quando minha mãe estava viva e muito velhinha, precisou vir morar comigo. Todos os dias eu acordava e levava uma caneca de café quentinho pra ela na beirada da cama. Certo dia quando cheguei ao quarto, com o café quentinho nas mãos, chamei minha mãe e ela não respondeu. Então vi que minha mãe tinha morrido! Me deu um aperto dentro do peito e um bolo cresceu na minha garganta!".
Então ela perguntou á Dona Cacilda: "__Será que isso é tristeza?"
Dona Cacilda respondeu: "__É sim, Dona Luzia! Isso é muita tristeza!"
Então a minha avó respondeu numa gargalhada pra ela: "___Ah, então eu já fiquei triste uma vez!"
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A torneira (Lembranças do quintal da minha avó!)
Sob o céu, a casa; ao fundo da casa, o caramanchão; sob o caramanchão, o tanque; na costa do tanque, a torneira.
“ Menino, não fique abrindo e fechando toda hora que você vai destrambelhar essa torneira!” Era a voz de minha avó admoestando-me quando estava brincando com água.
Ah, mas era tão bom abrir a torneira e deixar a água escorrer por entre os dedos. Era como se a mão estivesse tomando banho de cachoeira. Palma pra cima, palma pra baixo; e de vez em quando ia levando a mão adiante, até o cotovelo ficar sob o jato d’agua.
A água era captda de um córrego chamado Palmito. Ela era quente e serpenteava pela mangueira escondida dentro da terra, atravessava á galope o quintal e vinha recobrar o fôlego na torneira. Ssssssssssss! Quando o fecho da torneira era aberto ela chiava uns dez segundos antes de aparecer.
A torneira era de metal e, quando nova, tinha a cor que buscava imitar o ouro. Quando estava envelhecendo o amarelo ia ficando desbotado e acabava por descascar em alguns lugares.
Quando entrava nessa idade, a gente rodava a “borboletinha” para ela fechar, mas ela continuava pingando. Se a gente teimasse e quisesse estancar a lenta sangria d’agua, ela se aborrecia de vez e deixava-se ficar girando em voltas sem fim.
Danava-se tudo! Quando estava chateada assim, a gente tirava a mão de cima dela e ela voltava a vazar. Pra esse destempero da torneira somente um elástico bem forte ou uma tira de câmara de ar de bicicleta pra dar jeito.
A gente amarrava a torneira pra tirar o vazamento e ela ficava parecida com gente que tinha cachumba ; que botava um pano que passava pela fronte, dava a volta no queixo e terminava por ser amarrado num laço, em cima da cabeça.
“ Menino, não fique abrindo e fechando toda hora que você vai destrambelhar essa torneira!” Era a voz de minha avó admoestando-me quando estava brincando com água.
Ah, mas era tão bom abrir a torneira e deixar a água escorrer por entre os dedos. Era como se a mão estivesse tomando banho de cachoeira. Palma pra cima, palma pra baixo; e de vez em quando ia levando a mão adiante, até o cotovelo ficar sob o jato d’agua.
A água era captda de um córrego chamado Palmito. Ela era quente e serpenteava pela mangueira escondida dentro da terra, atravessava á galope o quintal e vinha recobrar o fôlego na torneira. Ssssssssssss! Quando o fecho da torneira era aberto ela chiava uns dez segundos antes de aparecer.
A torneira era de metal e, quando nova, tinha a cor que buscava imitar o ouro. Quando estava envelhecendo o amarelo ia ficando desbotado e acabava por descascar em alguns lugares.
Quando entrava nessa idade, a gente rodava a “borboletinha” para ela fechar, mas ela continuava pingando. Se a gente teimasse e quisesse estancar a lenta sangria d’agua, ela se aborrecia de vez e deixava-se ficar girando em voltas sem fim.
Danava-se tudo! Quando estava chateada assim, a gente tirava a mão de cima dela e ela voltava a vazar. Pra esse destempero da torneira somente um elástico bem forte ou uma tira de câmara de ar de bicicleta pra dar jeito.
A gente amarrava a torneira pra tirar o vazamento e ela ficava parecida com gente que tinha cachumba ; que botava um pano que passava pela fronte, dava a volta no queixo e terminava por ser amarrado num laço, em cima da cabeça.
A oficina de lavar roupa (Lembranças do quintal da minha avó!)
Eu não esqueço! Quem é da família e não é mais moço; o cabelo tem no todo ou numa parte, a cor do algodão, há de lembrar-se desse tempo! Como dia que amanhece a lembrança faz sol dentro de mim! O rio da memória é caudaloso e seus respingos quando alcança a cachoeira do tempo encharca de saudade o meu olhar! O tempo é um menino que brinca no quintal das minhas lembranças! No fio da teia da memória, o aumentado da casa ainda vai acontecer!
Ainda é a cozinha onde hoje é a sala de televisão! A porta da cozinha é de madeira e é tingida da cor do azul do céu. Ela se abre para o caramanchão. Quatro palanques fincados no chão, de altura e meia de um homem, dispostos num retângulo. Aos pés de cada um, uma videira foi plantada. O verde que mais tarde ia dar uvas, num enlace gentil e necessário, abraçou o poste para subir em direção ao alto e ir se esparramar sobre uma cama de arame, que docemente o meu avô teceu! Meu avô engenhou uma lavoura de palanques, plantas e arame para colher sombra o ano inteiro. Sob essa fruta gostosa que se aproveita para esconder o sol e amainar o calor dos dias de verão, o meu avô semeou o tanque; ao lado dele, edificou o quarador.
O quarador era uma prancha de madeira de lei onde uma das pontas ficava sustentada num poste de meio metro de altura e a outra ponta ia ao chão. Era ali que minha avó alvejava as roupas para o trabalho e as missas do domingo! O caramanchão, o tanque e o quarador!
Era ali a nossa oficina de lavar roupas!
Ainda é a cozinha onde hoje é a sala de televisão! A porta da cozinha é de madeira e é tingida da cor do azul do céu. Ela se abre para o caramanchão. Quatro palanques fincados no chão, de altura e meia de um homem, dispostos num retângulo. Aos pés de cada um, uma videira foi plantada. O verde que mais tarde ia dar uvas, num enlace gentil e necessário, abraçou o poste para subir em direção ao alto e ir se esparramar sobre uma cama de arame, que docemente o meu avô teceu! Meu avô engenhou uma lavoura de palanques, plantas e arame para colher sombra o ano inteiro. Sob essa fruta gostosa que se aproveita para esconder o sol e amainar o calor dos dias de verão, o meu avô semeou o tanque; ao lado dele, edificou o quarador.
O quarador era uma prancha de madeira de lei onde uma das pontas ficava sustentada num poste de meio metro de altura e a outra ponta ia ao chão. Era ali que minha avó alvejava as roupas para o trabalho e as missas do domingo! O caramanchão, o tanque e o quarador!
Era ali a nossa oficina de lavar roupas!
Des-lucidez
Quero estar e vencer o tempo e a distância
Beber ventos e tempestades que se avizinham
Voar abismos e montanhas que me cercam
Entranhar ausências, saudades que me rondam
Nadar os mil e um rios que me convergem
Afrontar os mares que se horizontam
Descerrar de súbito as janelas dos olhos
Pavilhões de amor eternamente fechados
E num mergulho inequívoco
Na imensidão uterina da palavra
Cometer premeditadamente
Sem remorsos prematuros
Um verso de esperança na aridez do pensamento
E depois doar o peito ao farpado do arame
Então dilacerar com as mãs essa ferida viva
Até ser larga o bastante para ver pulsar
No compasso lento do relógio de parede
Desvairado e vermelho
Meu patético coração de homem
Beber ventos e tempestades que se avizinham
Voar abismos e montanhas que me cercam
Entranhar ausências, saudades que me rondam
Nadar os mil e um rios que me convergem
Afrontar os mares que se horizontam
Descerrar de súbito as janelas dos olhos
Pavilhões de amor eternamente fechados
E num mergulho inequívoco
Na imensidão uterina da palavra
Cometer premeditadamente
Sem remorsos prematuros
Um verso de esperança na aridez do pensamento
E depois doar o peito ao farpado do arame
Então dilacerar com as mãs essa ferida viva
Até ser larga o bastante para ver pulsar
No compasso lento do relógio de parede
Desvairado e vermelho
Meu patético coração de homem
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Rio da memória
Os olhos fecho, nas águas muitas do rio da memória, vejo
Á deriva no leito uma infinidade de desejos insatisfeitos
Orgasmos fingidos se afogam abraçados a beijos alheios
Remam inconsoláveis os fantasmas de amores-perfeitos
Dependurados á margem da lâmina dágua de horrores
Samambaias abarrotadas de tristezas e avencas de dores
Nas águas muitas que correm o rio da memória
Navegam sem amarras o abandono e a solidão
Á deriva no leito uma infinidade de desejos insatisfeitos
Orgasmos fingidos se afogam abraçados a beijos alheios
Remam inconsoláveis os fantasmas de amores-perfeitos
Dependurados á margem da lâmina dágua de horrores
Samambaias abarrotadas de tristezas e avencas de dores
Nas águas muitas que correm o rio da memória
Navegam sem amarras o abandono e a solidão
quarta-feira, 31 de março de 2010
Poeminha da saudade
Primeiro, pensa, depois esboça o fino traço
O movimento concebe o projeto do passado
Apaga, rabisca, perfeitiza o ângulo exato
Pedra, areia e águas da lembrança de um lado
Do outro, cimento e ferro de sonhos fracassados
Pra edificar a obra, meu pensamento operário
Nasce, enfim, uma cidade de lembranças
{com contornos do teu rosto
A saudade é arquiteta a desenhar sem fim
Ruas e vilarejos de você dentro de mim
O movimento concebe o projeto do passado
Apaga, rabisca, perfeitiza o ângulo exato
Pedra, areia e águas da lembrança de um lado
Do outro, cimento e ferro de sonhos fracassados
Pra edificar a obra, meu pensamento operário
Nasce, enfim, uma cidade de lembranças
{com contornos do teu rosto
A saudade é arquiteta a desenhar sem fim
Ruas e vilarejos de você dentro de mim
sexta-feira, 26 de março de 2010
Ameronegroindia
Do dia de triste memória lembro-me ainda
(Oh Deus quisera eu um dia, poder esquecer!)
Quando ancorou nas águas rasas de sua baía
As naus errantes buscavam o caminho das Indias
Em noites de luas inteiras solitário sopra o vento
Encrespando a água prateada do oceano
Ouco calado os lamentos tantos e os gemidos,
Recordo eu, recorda a noite a morte de seus filhos
Sobre o chão de barro ao redor de uma fogueira
Rezou, cantou, dancou o curandeiro
Suplicou desesperado a Ghono-e-no-odi
Salvaguardar o corpo macio de seus guerreiros
Contra o pau de fogo do branco forasteiro
E na luta da necessária liberdade
Impiedosamente mortos foram os Tupamaros,
Xavantes, Ofaiés, Bororos, Terenas, kadwéos
Os Guaicurus, Guaranis-kaiowás, Ianomânis,
Que araraviviam felizes o continente
m rastro de sangue quente, vermelho vivo
Vazou dos buracos de balas que transpassaram
O macio peito de passsarinho de seus filhos
Envermelhou as cores de seus mares
Tingiu de vinho as cores límpidas de seus rios
As terríveis bandeiras, o roubo do ouro, das gemas
Espelhos, colares, micangas coloridas
O estrupo das meninas ,as febres, as doencas venéreas
(Manso) __ Aceite filho o Pai, o Filho e o Espírito Santo!
(Colérico) __Renuncie pagão ao teu nome de batismo!
(Doce)__ Com o poder concedido pela Santa Sé
Com a graca e o poder de Deus eu te batizo!
Oh minha América minha màe de trágico destino
Dos negros contrabandeados, escravizados, acoitados
Dizimados, degolados na guerra sangrenta dos Palmares
América de Allende, Guevara, Victor Jara, Rubens Paiva
De Herzog,, Zumbi, Marcal, Chico Mendes e Lamarca
Vilipendiada, estrupada, ultrajada, saqueada
No aviltante calabouco, banho gelado, choque elétrico
Chute no saco, unha arrancada, tapa na cara, pau de araral
Conspiracões, falsidades,exílios, meias verdades
Degredos, traicões, provas forjadas,
Confissões subtraídas sob a insignia da tortura
Tempos de excecões, silêncio, ditadores sanguinários,
Seu lamento avanca tempo, a fome assola o estomago
Oh América minha mãe de tanto sofrimento, de trágico destino
Quanto tempo ainda sob a terra rica e gentil
Seu filho mestico, em meio a tanta riqueza, ainda vai morrer de fome?
(Oh Deus quisera eu um dia, poder esquecer!)
Quando ancorou nas águas rasas de sua baía
As naus errantes buscavam o caminho das Indias
Em noites de luas inteiras solitário sopra o vento
Encrespando a água prateada do oceano
Ouco calado os lamentos tantos e os gemidos,
Recordo eu, recorda a noite a morte de seus filhos
Sobre o chão de barro ao redor de uma fogueira
Rezou, cantou, dancou o curandeiro
Suplicou desesperado a Ghono-e-no-odi
Salvaguardar o corpo macio de seus guerreiros
Contra o pau de fogo do branco forasteiro
E na luta da necessária liberdade
Impiedosamente mortos foram os Tupamaros,
Xavantes, Ofaiés, Bororos, Terenas, kadwéos
Os Guaicurus, Guaranis-kaiowás, Ianomânis,
Que araraviviam felizes o continente
m rastro de sangue quente, vermelho vivo
Vazou dos buracos de balas que transpassaram
O macio peito de passsarinho de seus filhos
Envermelhou as cores de seus mares
Tingiu de vinho as cores límpidas de seus rios
As terríveis bandeiras, o roubo do ouro, das gemas
Espelhos, colares, micangas coloridas
O estrupo das meninas ,as febres, as doencas venéreas
(Manso) __ Aceite filho o Pai, o Filho e o Espírito Santo!
(Colérico) __Renuncie pagão ao teu nome de batismo!
(Doce)__ Com o poder concedido pela Santa Sé
Com a graca e o poder de Deus eu te batizo!
Oh minha América minha màe de trágico destino
Dos negros contrabandeados, escravizados, acoitados
Dizimados, degolados na guerra sangrenta dos Palmares
América de Allende, Guevara, Victor Jara, Rubens Paiva
De Herzog,, Zumbi, Marcal, Chico Mendes e Lamarca
Vilipendiada, estrupada, ultrajada, saqueada
No aviltante calabouco, banho gelado, choque elétrico
Chute no saco, unha arrancada, tapa na cara, pau de araral
Conspiracões, falsidades,exílios, meias verdades
Degredos, traicões, provas forjadas,
Confissões subtraídas sob a insignia da tortura
Tempos de excecões, silêncio, ditadores sanguinários,
Seu lamento avanca tempo, a fome assola o estomago
Oh América minha mãe de tanto sofrimento, de trágico destino
Quanto tempo ainda sob a terra rica e gentil
Seu filho mestico, em meio a tanta riqueza, ainda vai morrer de fome?
quinta-feira, 25 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
Solidão
A solidão é um córrego que passa dentro da gente: numa margem, a saudade; na outra, o abandono!
segunda-feira, 15 de março de 2010
Homem ao mar
Lá vou eu de novo me aventurar.
Lá vou eu de novo,homem ao mar
Sem bússolas, sem colete salva-vidas,
Sem lunetas, sem suprimentos,sem água,
Sem nada, sem nada, sem nada
E o que levo comigo, assim que deixo o cais?
Levo apenas este insensato coracao
E as cicatrizes tantas desenhadas pelo mar da vida
Nas costas largas desse velho lobo do mar!
E o que busco nesse horizonte sem fim?
O que espero encontrar nessa imensidão que nao acaba mais?
Busco o que venho buscando a vida inteira,
O tesouro perdido do amor, as fortes ondas da paixao,
A suave brisa da ilusao, que se encontra incrustado nos arrecifes de corais,
Onde inadvertidamente acabo sempre por me destrocar
Lá vou eu de novo,homem ao mar
Sem bússolas, sem colete salva-vidas,
Sem lunetas, sem suprimentos,sem água,
Sem nada, sem nada, sem nada
E o que levo comigo, assim que deixo o cais?
Levo apenas este insensato coracao
E as cicatrizes tantas desenhadas pelo mar da vida
Nas costas largas desse velho lobo do mar!
E o que busco nesse horizonte sem fim?
O que espero encontrar nessa imensidão que nao acaba mais?
Busco o que venho buscando a vida inteira,
O tesouro perdido do amor, as fortes ondas da paixao,
A suave brisa da ilusao, que se encontra incrustado nos arrecifes de corais,
Onde inadvertidamente acabo sempre por me destrocar
sexta-feira, 12 de março de 2010
Pra concertar o amor
E preciso dar voz ao silencio, dessalgar as palavras
Ressuscitar os carinhos e remover pedras do olhar
E necessario desentristecer as horas, os minutos
Desanuviar o sorriso e fazer acontecer a alegria
E de bom tom e saudavel acordar e dormir embaracados
Multiplicar sentimentos de ternura ao raiar do amanhecer
Quadruplicar atitudes de carinhos ao cair do anoitecer
Lembre-se ao brigar nao esquecer de rir de si mesmo
Lembre-se de perdoar antes do pedido de desculpas
Lembre-se de enxugar a lagrima antes da mesma cair
Seja leal, seja sincero, seja amante e companheiro
Perca o folego beijando e procure amar mais e mais
E jure votos de amor e namoro de janeiro a janeiro
Ressuscitar os carinhos e remover pedras do olhar
E necessario desentristecer as horas, os minutos
Desanuviar o sorriso e fazer acontecer a alegria
E de bom tom e saudavel acordar e dormir embaracados
Multiplicar sentimentos de ternura ao raiar do amanhecer
Quadruplicar atitudes de carinhos ao cair do anoitecer
Lembre-se ao brigar nao esquecer de rir de si mesmo
Lembre-se de perdoar antes do pedido de desculpas
Lembre-se de enxugar a lagrima antes da mesma cair
Seja leal, seja sincero, seja amante e companheiro
Perca o folego beijando e procure amar mais e mais
E jure votos de amor e namoro de janeiro a janeiro
Primavera dentro de nós
Deixemos as orquídeas tomar conta da varanda sombreada da retina de nossos olhos e os girassóis fazer morada na janela macia de nossas almas.Begônias gigantescas brotarão nos quartos ocupados pelo desejo e líriosazuis de saudades vão invadir por inteiro a sala azul de ternas lembranças.Um mar imenso de azaléias darão cor e cheiro ao nosso amor descomedidoSob a fragilidade e cuidado de teus dedos esconderei uma ponte verde de esperança e um imenso pôr-de-sol vermelho alaranjado. O sol que incide teu sorriso e a chuva de lágrimas de felicidade fará nascer um arco-íris no teu corpo. Agora é primavera dentro de nós! Deixemos as flores se espar- ramarem serenas e perfeitas pelos quintais baldios de nossos sentimentos!
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