terça-feira, 13 de abril de 2010

O jeito único de ser da minha avó (Lembranças do quintal da minha avó!)

Minha avó era uma daquelas pessoas cuja conta pra viver era pensar e resolver a vida!
Tudo era simples como dois mais dois resultando em quatro! De espírito e pensamentos simples, uma pessoa honesta e cheia de bom humor e esperança! Minha avó era uma semeadora de alegrias. Sua risada cristalina enchia a varanda e chegava até a rua, sendo muito comum contagiar os transeuntes. Ela viveu sua vida acreditando sempre o amanhã sempre traria consigo um fato novo e seria bem melhor do que o hoje.
Uma passagem que retrata bem minha avó, o seu jeito único de ser e de viver a vida, aconteceu no episódio de sua morte; e me foi relatada por Dona Cacilda, uma pessoa amável e muito querida, com a qual minha avó vizinhou por mais de trinta anos.
Ela dizia: "___Nós vizinhamos tantos anos! A dona Luzia era uma pessoa que todos nós da rua admirávamos! Não tinha quem não gostasse da dona Luzia. Quantas e quantas vezes eu acordava cedo e estava varrendo a minha calçada e a Dona Luzia, a dela. Ela me dava bom dia, atravessava a rua e já vinha rindo prosear comigo! Outras vezes era eu que atravessava a rua e ela me esperava rindo para conversar. Uma dessas vezes, eu disse á Dona Luzia, que todos os vizinhos admiravam ela! Sempre rindo, sempre de bom astral, parecia pra ela que tudo sempre estava bom. Minha avó respondeu á Dona Cacilda que ela não sabia o que era DOENÇA, o que era SAUDADE, o que era TRISTEZA. A Dona Cacilda pediu para ela explicar melhor como era isso. "___Doença, Cacilda, eu sei e já vi nos outros, mas "ocê" sabe que eu não sei o que é dor de cabeça, dor de dente, ficar acamada; Saudade também não sei o que é! Meus filhos e meus netos estão todos sempre perto de mim. Vejo os outros falar mas não sinto!
Tristeza é outra coisa que eu desconheço. Que eu lembre quando minha mãe estava viva e muito velhinha, precisou vir morar comigo. Todos os dias eu acordava e levava uma caneca de café quentinho pra ela na beirada da cama. Certo dia quando cheguei ao quarto, com o café quentinho nas mãos, chamei minha mãe e ela não respondeu. Então vi que minha mãe tinha morrido! Me deu um aperto dentro do peito e um bolo cresceu na minha garganta!".
Então ela perguntou á Dona Cacilda: "__Será que isso é tristeza?"
Dona Cacilda respondeu: "__É sim, Dona Luzia! Isso é muita tristeza!"
Então a minha avó respondeu numa gargalhada pra ela: "___Ah, então eu já fiquei triste uma vez!"
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