Minha avó sempre foi uma excelente vizinha, disseram em seu velório, todos aqueles que vizinharam com ela. O quanto ela assertiva já descrevi em outras crônicas!
Fato muito engraçado aconteceu quando minha avó vizinhou com a Dona "Maria Amarradeira" (Confesso que não sei a razão deste apelido!), mãe da Valter, da Vanda e da Vilma. Elas foram vizinhas em terrenos que ficavam defronte á "igrejinha" (Assim era chamada a igreja do bairro Nossa Senhora Aparecida, bairro este, na época, mais conhecido como "feijão queimado"). A filha mais nova de minha avó se chama Maria de Lourdes e no círculo familiar era chamda de " Lurdinha"; a filha mais nova da Dona Maria "Amarradeira", se chama Vilma.
Afora o preconceito e as piadas de mau gosto que dizem que um caminhão de preto ou um caminhão de japonês todo mundo é igual, certo é que as duas eram muito parecidas, ou como de diz no interior, "cara de uma, fucinho da outra"!
Como era costume a Lurdinha e Vilma, viviam uma na casa da outra pois eram amigas e comungavam a mesma faixa etária de idade.
Como toda criança, vez ou outra aprontavam peraltices.
Minha avó, ao que parece estava cozinhando e as duas "neguinhas" brincando de correr e passando toda hora dentro da cozinha. Minha avó pediu para elas evitarem a cozinha, no quê, diga-se de passagem, não foi prontamente e nem tardiamente atendida.
A brincadeira de corre-corre continou como se minha avó não existisse e também não tivesse falado nada. Nem a promessa de uma surra na Lurdinha foi capaz de alterar o trajeto que elas haviam estabelecido naquela manhã. Heis que ao passar pela cozinha em desabalada carreira, uma delas tromba na minha avó, que por pouco não derruba uma chaleira de água quente que tinha ás mãos. Minha avó não pensou duas vezes e correu de chinelo na mão atrás da Lurdinha. Alcançou-a quando ela ia dobrar a esquina da parede da casa. Segurou-a pela gola da blusa e deu-lhe umas boas chineladas. Quando minha avó deixou a criança e olhou de lado, sua filha, a Lurdinha a olhava com olhos esbugalhados e atônitos. A Vilminha, que tinha acabado de apanhar no lugar da amiga, correu num berreiro só para o quintal da sua casa.
Quando a minha avó se deu conta do que tinha acontecido, saiu correndo atrás e gritando:
" Ô comadre Maria "Amarradeira", me desculpe! Eu bati na sua filha pensando que era a minha"!
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