terça-feira, 13 de abril de 2010

A oficina de lavar roupa (Lembranças do quintal da minha avó!)

Eu não esqueço! Quem é da família e não é mais moço; o cabelo tem no todo ou numa parte, a cor do algodão, há de lembrar-se desse tempo! Como dia que amanhece a lembrança faz sol dentro de mim! O rio da memória é caudaloso e seus respingos quando alcança a cachoeira do tempo encharca de saudade o meu olhar! O tempo é um menino que brinca no quintal das minhas lembranças! No fio da teia da memória, o aumentado da casa ainda vai acontecer!
Ainda é a cozinha onde hoje é a sala de televisão! A porta da cozinha é de madeira e é tingida da cor do azul do céu. Ela se abre para o caramanchão. Quatro palanques fincados no chão, de altura e meia de um homem, dispostos num retângulo. Aos pés de cada um, uma videira foi plantada. O verde que mais tarde ia dar uvas, num enlace gentil e necessário, abraçou o poste para subir em direção ao alto e ir se esparramar sobre uma cama de arame, que docemente o meu avô teceu! Meu avô engenhou uma lavoura de palanques, plantas e arame para colher sombra o ano inteiro. Sob essa fruta gostosa que se aproveita para esconder o sol e amainar o calor dos dias de verão, o meu avô semeou o tanque; ao lado dele, edificou o quarador.
O quarador era uma prancha de madeira de lei onde uma das pontas ficava sustentada num poste de meio metro de altura e a outra ponta ia ao chão. Era ali que minha avó alvejava as roupas para o trabalho e as missas do domingo! O caramanchão, o tanque e o quarador!
Era ali a nossa oficina de lavar roupas!

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