quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Casarão de mim mesmo!

Abram em mim janelas, posto que sou como casa velha e preciso do sol, a claridade, para iluminar antigos cantos esquecidos;
Abram em mim portas para que o vento, esse menino travesso, possa brincar pelos corredores, afugentando com sua presença tristezas minhas esparramadas pelo chão;
Pelos quartos, saudades se amontoam enrodilhada como cobra em meus lençós;
Na sala, as lembranças estão solenementes assentadas ao sofá, assistindo DVDs de minhas dores;
No porão, o dono e sua fotografia esmaecida, se encontram lado a lado, bebericando em taça nobre, a solidão;
No piso da memória a sua ausência se incumbiu de riscar todos os ladrilhos do presente;
Do candelabro pende uma luz morta que ilumina meu fantasma assentado sobre a mesa de jantar;
Abram em mim janelas, posto que sou como casa velha e preciso do sol, a claridade, para iluminar antigos cantos esquecidos!

Árvore da saudade

Galhos tortuosos que se estendem do pulmão aos pensamentos
No quintal de minha memória folhas ressequidas esparramadas
Raízes insensatas arrebentam impunemente a calçada do viver
Agüo com lembranças, planta inexata que nasceu dentro de mim

Oh árvore da saudade, onde está a senhora que te plantou aqui?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Vitral de minha alma!

A pipa da vida alça vôo no vento leve do destino
Avó: vestido de chita usado pra ir rezar a missa
De palha:chapéu que vestia a careca do meu avô
Pequenos objetos, lugares e pessoas justapostos
Colcha de vidro onde brilha a suave luz do amor

Vidros coloridos assentados nas janelas da alma interior
Desenhos de lugares e de pessoas que o tempo pintou
Lugar onde a luz do sol ilumina a memória que passou
Aqui estão minhas lembranças indeléveis de menino
Cada vidrinho é parte da minha vida que o tempo colou

Anilhamento do viver!

Amanheço acordado.Dentro do meu peito tua ausência é uma criança que não consigo fazer adormecer. Desfila perante minha insônia todos os momentos adocicados que vivemos. Na extensão inexata de minha pele, teu vulto me queima, todos meus poros em chama, meu corpo te clama. Teu cheiro é um incenso que se esparrama pelos vãos, desvãos e reentrâncias do meu ser. Cmo lidar com este hiato de você? Como não despencar do abismo que em minha frágil alma tua falta deixou? Tua lembrança são piercings atarraxados em minha memória. O contorno de teu rosto é vidro de mercúrio derramado sobre a capilaridade de meus pensamentos. Aos poucos me enveneno de saudade e de dores. Esta presença implacável da ausência, este anilhamento do viver, chamo saudade. Eu des-respiro, eu me ardo, eu me findo em tua lembrança!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Manhãs de outubro!

A janela entreaberta oferecia o aconchego da sombra aos raios solares das manhãs de outubro!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O rádio antigo e as manhãs (Lembranças do quintal da minha avó!)

Era um rádio a pilha e que tinha na frente somente dois botões: o de sintonizar e outro que aumentava ou diminuía o volume. Sua caixa protetora era de madeira e pintada de cor amarelo. As laterais era ligeiramente abauladas. Uma antena de tamanho médio parecia nascer de sua cabeça. Durante o dia só conseguíamos sintonizar a rádio de nossa cidade; á noite, com muito custo, meu avô conseguia ouvir o “Zé Béti”, um locutor de estação de rádio de São Paulo, acho que da rádio Nacional ou Bandeirantes. As crianças, como eu, deviam manter distância do rádio. Podia estragar o “apareiú”!
Em dias de chuvas com trovoadas, raios e relâmpagos, o rádio era desligado. Todo mundo sabia que a antena do rádio podia atrair o raio pra dentro da casa da gente e fazer incendiar tudo. Nesses dias de chuva brava a gente desligava o rádio e também cobria os espelhos. Confesso que até hoje eu não sei bem porquê cobria-se os espelhos.
Outra verdade, sabida por todos, era que tomando café quente era expressamente proibido de sair na chuva. Minha avó tinha conhecido alguém que tinha feito isso e tinha ficado todo torto. Ninguém queria ficar torto e nem morrer queimado ouvindo rádio. Lembro também que em dia de chuva uma das janelas devia ficar aberta: se o raio entrasse na casa, ele ia ter por onde sair(??!!!). Deixando as crendices sobre a chuva de lado, o rádio era um objeto muito apreciado, pois além da diversão ele também trazia as notícias. Muita gente que sabia escrever redigia uma cartinha pedindo para o locutor tocar sua música preferida, pedia para oferecer essa música para alguém que ele ou ela gostava. Depois “punha” a cartinha dentro de um envelope, botava o nome do programa na frente e levava na caixa de cartinhas que havia na estação de rádio. Outros através das cartinhas mandavam recados para o pessoal que morava nos sítios ou nas fazendas!
No outro dia o locutor lia em seu programa a carta da gente!
“___Fulano oferece com muito carinho a próxima música pra sicrana!”
Quando ouvíamos o nome da gente no rádio dava um orgulho danado! O rádio era tão famoso e ouvindo o nome da gente através dele, parecia que íamos absorver um pouco de sucesso. O rádio até parecia gente. A primeira e a última conversa do dia era dele.

“___Bom dia minha patroa! Agora em Três Lagoas são pontualmente cinco horas da manhã! É hora de acordar meu povo!”

(Música)
“ ...eu não troco meu ranchinho amarradinho de cipó
por uma casa na cidade nem que seja bangalô...”

Depois um cheiro de café novinho invadia a casa inteira. “____Menino tá na hora de acordar!”
Era a voz da minha avó me chamando para despertar.

“Não há oh gente oh não luar como esse do sertão..”

Eu acordava bocejando e espreguiçava para espantar a “lezeira” do corpo.
Ritual de todos os dias: lavar o rosto, pentear o cabelo, vestir o uniforme, calçar os sapatos, arrumar os cadernos.

“___Alô Seu João Quintanilha, da fazenda Olho dágua, a Dona Maria pede para esperar com o cavalo na porteira que ela está indo amanhã cedo”
“___Dona Joana, da fazenda PrataTiberi, a sua filha manda avisar que o seu neto já nasceu e que está tudo bem!”
“____Temos mais um recadinho aqui! É da Dirce, pro sítio Campanário! A Dona Dirce manda avisar que ela só poderá ir na segunda. Pro “ceis” não ficar preocupado que está tudo bem!”

(Música)
“ O maior golpe do mundo que eu tive em minha vida
Foi quando aos nove anos perdi minha mãe querida
Morreu queimada no fogo morte triste e dolorida....”

A xícara de café quentinha, fumegante já esperava á mesa.

“Levantei-me um dia bem cedo pra ver lá na praia minha namorada
Eu cheguei quando o sol já nascia só vi seu rastinho na areia molhada...”


O pão tipo bengala esticado solenemente á mesa era cortado em pedaços pequenos, lambuzado com manteiga era apreciado com a fome típica de quem acabara de levantar.

Eu: “ Vó tem leite pra misturar no café?”

“O João-de-barro pra ser feliz como eu certo dia resolveu arrumar uma companheira
Com o vai e vem com o barro da biquinha ele fez sua casinha lá no alto da paineira...”

“_____Agora em Três Lagoas, são seis horas e quinze minutos!”

Minha avó: “___Menino se apressa se não vai chegar atrasado!”

“Já derrubamos o mato meus amigos e camaradas
Já posso pagar vocês terminou a derrubada...........”

Eu: “___Vó já to indo! Bença vó!”

“____Deus te abençoe, Deus te dê boa sorte!” Respondia ela lavando a louça suja do café .
Eu sabia que depois de lavada a louça ela catar feijão pra cozinhar pro almoço.

Lá do portão ainda dava pra ouvir o rádio anunciando:

“Em Três Lagoas, são seis horas e trinta minutos!”

Horário certo de sair pra escola. Dava tempo de chegar, conversar um pouquinho com os colegas e depois ir pra fila cantar o hino antes de entrar pra sala de aula!
Até hoje lembro do rádio, lembro das manhãs, lembro das músicas! Que saudade!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Somente pra você meu inesquecível amor!

Trago em um um bornal dentro do coração:

Um par de brincos com brilhantes de alegrias
Um frasco pequeno com perfume de saudades
Um par de luvas forrada de abraços delicados
Um estojo de maquiagem repleto de ternuras
Trago um porta-joias com de cancoes de ninar

Levo um vestido feito á mão com a água da chuva
Levo uma escova de cabelo manufaturada de brisa
Trago estrelas embrulhadas em papel de bala doce
Beijos quentes guardados em potes de chocolate
Um sapato tingido com a cor do céu de primavera