segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Pedra da saudade

Amor= tardar das horas que se arrastam no intervalo da existência! Viver: ausência de nós mesmos= saudades , felicidade: ilusão inalcançavel! A sua imagem meu espelho de quarto assombra, dentro do guarda-roupas dependurado estou no cabide irresponsável desse amor. Seu cheiro é ópio a entorpecer-me narinas e pensamento! Viciado: no cachimbo da lembrança do seu rosto, fumo a pedra da saudade!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ipês de setembro!

Setembro, ainda me lembro dela. Ausente, caminho cabisbaixo por entre ruas de saudades. Enquanto vagueio acordado, os ipês despejam sonhos coloridos pelas ruas da cidade. Os ipês trajados com vestidos lilás e amarelo para os olhos dos transeuntes. Sonhos coloridos adornam a copa dos ipês. Devaneios lilás e amarelos, derramados gentilmente, pela primavera, sob a copa verde esparramadas nos canteiros da cidade. No fundo azul do céu, de um azul que dói os olhos, dança lentamente um carneiro esculpido pelo acaso na imensidãoazul-turquesa do horizonte e o vento despedaça um dragão de sete patas.
Setembro, ainda me lembro dela! Ausente, caminho cabisbaixo por entre ruas de saudades!

Ruas dentro de mim

Sou um transeunte pelas ruas que tenho dentro de mim! Ruas dentro de mim, ainda que cansado, insisto caminhar! As ruas que me habitam, mendigo teimo morar! As vezes, sou um solitário pelas ruas que me cortam a existência! Noite e dia atravesso perigosamente essas ruas que são minhas! Vagueio avenidas, becos, ruelas, passarelas, ladeiras, pontes, viadutos e vidas sem rumo. Reviro os monturos a busca de olhares perdidos e pães amanhecidos.
Outras vezes, sou multidão a caminhar pelas encostas da alma, pelos costados das ruas que detenho! Nao tenho saidas, minhas ruas me atravessam em infindáveis labirintos. Acesas as velas, minha procissão de eus desnorteados desce a ladeira atrás da salvação. Entre tantos que rezo e me divido, o poeta, o bandoleiro, o amante, o aventureiro, o louco e o seresteiro, guardam, eles todos, com muito zelo as porteiras perdidas e cancelas esquecidas de minhas ruas.
Na vida amiúde, o vento sopra rasteiro pela calçada e impregna de poeira e saudade, a janela escancarada da solidão. Pela manhã destranco as cancelas das ruas que guardo dentro de mim! Piso chão de memórias, calçadas de sofrimentos! Olho com olhos esquecidos o tempo que passou! Sou eu o transeunte solitário nessa cidade de mapas e endereços todos meus!
Ruas que são minhas, ruas que me têm cativo em GPS de saudades de mim mesmo!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Eu mesmo!

Eu não caibo dentro de qualquer saudade
Que insista em me ter crucificado aos teus pés.
Eu não me enquadro em ângulos retos de amores
Não me deito em bancos macios de desejos
Onde a solidão primeiramente estendeu os seus lençóis
Não adentro as igrejas ortodoxas ou protestantes
Que apregoam a eternidade da paixão e do amor
Não ilumino a face perante as velas da tristeza
Que queimam solenes defronte ao altar do abandono
Eu não engulo as hóstias de desesperanças
E não bebo no meio da missa o cálice da decepção
Eu não vergo os joelhos sobre os tapetes desilusão
Eu não balbucio orações implorando o perdão
Não peço em preces a volta de um amor que já se foi
Não rumino lembranças vãs do desejo que se apagou
Eu não faço promessas para um bem querer voltar
Minha força é meu canto, minha fé a poesia
Pra toda tristeza e desencantos que resulta o amor
Eu mostro o lado forte da vida, eu trago a alegria
guardada na palma da mão.

Vitral de minha alma!


A pipa da vida alça vôo no vento leve do destino
Avó: vestido de chita usado pra ir rezar a missa
De palha:chapéu que vestia a careca do meu avô
Pequenos objetos, lugares e pessoas justapostos
Colcha de vidro onde brilha a suave luz do amor

Vidros coloridos assentados nas janelas da alma interior
Desenhos de lugares e de pessoas que o tempo pintou
Lugar onde a luz do sol ilumina a memória que passou
Aqui estão minhas lembranças indeléveis de menino
Cada vidrinho é parte da minha vida que o tempo colou


Anilhamento do viver!

Amanheço acordado.Dentro do meu peito tua ausência é uma criança que não consigo fazer adormecer. Desfila perante minha insônia todos os momentos adocicados que vivemos. Na extensão inexata de minha pele, teu vulto me queima, todos meus poros em chama, meu corpo te clama. Teu cheiro é um incenso que se esparrama pelos vãos, desvãos e reentrâncias do meu ser.
Cmo lidar com este hiato de você? Como não despencar do abismo que em minha frágil alma tua falta deixou? Tua lembrança são piercings atarraxados em minha memória. O contorno de teu rosto é vidro de mercúrio derramado sobre a capilaridade de meus pensamentos. Aos poucos me enveneno de saudade e de dores.
Esta presença implacável da ausência, este anilhamento do viver, chamo saudade. Eu des-respiro, eu me ardo, eu me findo em tua lembrança!

Casarão de mim mesmo!

Abram em mim janelas, posto que sou como casa velha e preciso do sol, a claridade, para iluminar antigos cantos esquecidos;
Abram em mim portas para que o vento, esse menino travesso, possa brincar pelos corredores, afugentando com sua presença tristezas minhas esparramadas pelo chão;
Pelos quartos, saudades se amontoam enrodilhada como cobra em meus lençós;
Na sala, as lembranças estão solenementes assentadas ao sofá, assistindo DVDs de minhas dores;
No porão, o dono e sua fotografia esmaecida, se encontram lado a lado, bebericando em taça nobre, a solidão;
No piso da memória a sua ausência se incumbiu de riscar todos os ladrilhos do presente;
Do candelabro pende uma luz morta que ilumina meu fantasma assentado sobre a mesa de jantar;
Abram em mim janelas, posto que sou como casa velha e preciso do sol, a claridade, para iluminar antigos cantos esquecidos!